Drones e o risco para a aviação comercial

A presença de Drones próximo a aeroportos tem chamado a atenção

Desde o final de 2018, a presença de drones próximo a aeroportos tem chamado a atenção das autoridades e provocado uma série de transtornos para a população, como a interrupção das atividades, atrasos e cancelamentos de voos. Na Inglaterra e também no Brasil, foram dois casos em menos de um mês, um no dia 19 de dezembro no Aeroporto de Gatwick e outro no dia 9 de janeiro no Aeroporto de Heathrow. Em São Paulo, o Aeroporto de Congonhas teve suas atividades paralisadas nos dias 9 de dezembro e 8 de janeiro pelo mesmo motivo – a presença de drones sobrevoando o espaço aéreo do aeroporto e colocando em risco a segurança dos voos.
No Brasil, segundo dados da FAB (Força Aérea Brasileira) publicados no portal BBC Brasil, o número de avistamentos – quando um avião detecta um drone e avisa a torre para garantir a segurança – foi de 15 em 2017, 18 em 2018 e um em 2019 até o momento. A presença de drones próximos a aeroportos é configurado como crime.
Os números reforçam que as ocorrências vêm aumentando, mesmo no Brasil, que possui regulamentações bem definidas sobre o uso de drones, para garantir a segurança do espaço aéreo. Por definição da ANAC, (Agência Nacional de Aviação Civil) os drones não podem chegar a menos de 5,4 km de um aeroporto, se estiverem voando a uma altura de até 30 metros. Para voos mais altos, os drones precisam manter uma distância de pelo menos 9 km.
O DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) aumentou as restrições após os últimos registros, a fim de inibir ações não autorizadas ou ilícitas, no caso do Aeroporto de Congonhas. A restrição atinge um raio de 5,4 km (3 NM) ao redor do aeroporto e impede que operações de quaisquer naturezas sejam realizadas.

Essa situação preocupa o setor aéreo, não apenas pelos atrasos e cancelamentos que o fato gera, mas também porque a colisão com uma aeronave pode acarretar na queda de um avião.

Especialistas alertam que, caso o drone atinja partes vitais da aeronave, pode sim provocar graves acidentes. Recentemente, um avião que chegava ao México foi atingido pelo que se imagina ter sido um drone. A frente do avião foi totalmente danificada, provocando um pouso de emergência. O caso não foi mais grave porque não danificou nenhuma estrutura de controle da aeronave. Mas o desfecho pode não ser o mesmo em ocorrências futuras.

Conversamos com o Professor Alessandro Correa, da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) sobre esse assunto. Confira abaixo:

- Um drone pode mesmo derrubar uma aeronave, caso se choque com ela?

R: Dependendo do porte da aeronave sim. Uma possível colisão atualmente está mais concentrada durante o pouso ou decolagem, devido a altitude ser mais compatível com a altitude em que se encontram os drones durante suas atividades. Quando falo o porte da aeronave, falo em aeronaves pequenas e com um único motor, pois qualquer avaria nesse motor, principalmente durante a decolagem, é vital para a aeronave.

 

- Existe uma distância segura entre um avião e um drone?

R: Não existe oficialmente uma distância segura, existe o "fique o mais longe possível" da rota de aeronaves.

 

- Quais são as partes do avião mais sensíveis e que podem ser danificadas, caso se choquem por um drone?

R: Áreas mais sensíveis são: superfícies de comando, para-brisas e principalmente o motor.

 

- Como evitar a presença de drones no espaço aéreo ou mesmo próximo a aeroportos?

R: Primeiro de tudo é conscientizar o piloto de um drone dos riscos e responsabilidades de se ter esse equipamento, seja no risco de colidir com uma aeronave ou mesmo colidir com pessoas. Por isso, o local de uso de um drone precisa ser estudado e planejado antes do voo. Hoje, os equipamentos disponíveis para verificação de aeronaves no espaço aéreo (radares) não "enxergam" drones, devido ao seu tamanho e geometria. Fabricantes atualmente já estão impondo restrições nesses equipamentos (drones) que impedem que voos sejam realizados em áreas de risco como, aeroportos, presídios, aerovias, áreas de segurança nacional, etc. Também existem empresas privadas comercializando equipamentos que fazem o drone "invasor" de um espaço aéreo pousar automaticamente assim que detectado, criando um "escudo" de um espaço aéreo, como o que foi praticado nos estádios durante a Copa do Mundo no Brasil.

 

- Os casos registrados, recentemente, de drones próximos a aeroportos, são uma tendência e um risco para a população (tanto para quem está no avião quanto para quem está em solo)?

R: Sim. Para quem está na aeronave existe o risco de queda da aeronave dependendo da avaria e tipo de avião, para quem está em solo existe o risco de fazer parte desse acidente, ou mesmo do drone colidido com a aeronave vir a se chocar na queda com pessoas em solo.

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